Transparência e Eficiência em Xeque: Requerimentos de Vereador Expõem Falhas na Gestão Pública de Goiandira
Na última sessão da Câmara Municipal de Goiandira, o vereador Marcelo Evangelista Ferreira voltou a cobrar informações do Poder Executivo a respeito de dois temas sensíveis para a administração pública: o processo licitatório do Carnaval 2025 e a paralisação do caminhão tipo “Munck" (caminhão com cesto aéreo), que já estaria fora de operação há, segundo ele, mais de dois anos.
O primeiro requerimento trata-se de uma reinteração, já feita anteriormente por Marcelo, solicitando a devolução ao plenário e o envio, pelo Executivo, de toda a documentação referente à contratação dos serviços e estrutura do Carnaval 2025. O pedido foi aprovado por unanimidade entre os vereadores presentes.
No entanto, a situação que mais gerou discussão e críticas foi sobre o caminhão MUNCK. O vereador voltou a cobrar respostas quanto à paralisação do veículo e questionou o motivo da contratação de outro caminhão similar, por R$ 27 mil, enquanto o equipamento da própria prefeitura segue encostado. Marcelo foi enfático: “Se não derem satisfação disso aqui, pra nós darmos pro povo, eu vou ao Ministério Público”.
O requerimento também cobra o envio do processo completo de contratação do caminhão alugado, reforçando o papel constitucional da Câmara como fiscalizadora dos atos do Executivo.
Crítica: uma administração que repete velhos erros
O debate revelou uma administração que parece tropeçar nos mesmos problemas básicos há anos: falta de manutenção preventiva, lentidão nos processos de reparo e pouca transparência na aplicação dos recursos. O próprio vereador Pedro, em sua fala, admitiu que o caminhão ficou parado devido a um defeito simples — "faltavam só os bicos" — mas que levou meses para ser resolvido. Segundo ele, o atraso se deveu à falta de peças e à contaminação do combustível, que afetou não apenas o MUNCK, mas outros veículos da frota.
Apesar da justificativa técnica, fica evidente que a gestão pecou ao não prever soluções mais ágeis para um equipamento essencial à manutenção da iluminação pública. O município preferiu alugar um veículo por R$ 27 mil — valor que, em poucas parcelas, poderia cobrir a aquisição de um novo caminhão ou a manutenção completa do existente.
Essa decisão gerou uma situação paradoxal: para atender uma demanda urgente (a troca de lâmpadas), gastou-se mais do que seria razoável — o próprio vereador Pedro reconheceu que "é caro sim" e que o pagamento em duplicidade por quinzena “pesa” para os cofres municipais. Ao mesmo tempo, o bem público segue parado.
Prestação de contas que não chega e população à margem
Outro ponto levantado por Marcelo Evangelista é a falta de prestação de contas das festas realizadas. “Até hoje eu não vi nenhuma prestação de conta de festa que aconteceu em Goiandira”, afirmou, deixando claro que a gestão municipal tem falhado em um de seus deveres mais básicos: prestar contas à população.
Conclusão
A atuação do vereador Marcelo Evangelista, embora insistente, é reflexo da impaciência da população com uma administração que parece ineficiente e pouco transparente. A cobrança pela devolução do processo licitatório do Carnaval 2025 e pelas informações sobre o caminhão MUNCK expõem falhas de planejamento, execução e, principalmente, de respeito com o dinheiro público.
O episódio deixa claro que Goiandira precisa urgentemente de uma revisão em sua forma de gerir os bens públicos — e que o papel fiscalizador da Câmara deve continuar firme, para que a administração não siga confundindo improviso com gestão.